Mais uma noite. Mais uma manhã. Mais uma cama. Mais um outro.
Está acordada a cerca de uma
hora, mas não se levantou ainda. Aproveita os momentos em uma cama confortável,
em um lençol limpo, momento de falso prazer, ela sabe que aquele instante, no
qual o dinheiro é entregue, qualquer magia está destruída. Afinal, ela é só mais uma outra.
Ah, se ele soubesse... se ele
soubesse que todas as vezes que quem aparece é ele, que quem está disposto a
aproveitar de sua companhia é ele. A quem ela está enganando? Não é de sua
companhia que ele veio atrás. Afinal de contas, porque olharia para ela, por
que pensaria nela? Ele já tem o que ela mais deseja. Família. Casa.
Estabilidade.
Mas quem sabe um dia, quem sabe
um dia aquilo que a inocência que existia em seu interior insistia em acreditar
aconteça. Contos de fadas? Príncipes encantados? Por que não?! Por que não
aproveitar do pouco que restou, do pouco de sonhos e imaginação em seu
interior.
Então ele acorda. Paga. Se
despede. Como sempre sem beijo, como sempre sem toque. Como sempre sem olhar.
Mas ela sabe que ele vai voltar,
ele sempre volta. E com ele, o pouco de esperança, um pouco de desejo de viver
aquilo que lhe foi tirado. Aquilo que ela nunca teve a real chance de
aproveitar.
Mas enquanto isso não acontece...
Mais uma noite. Mais uma manhã.
Mais uma cama. Mais um outro.
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