Nós cinco e nossas quartas

Cinco pessoas unidas pelo acaso ou não, compartilhando a experiência de se encontrar em um espaço inusitado, de vivenciar os 10 000 Km que os separa de suas casas sob uma outra ótica. As palavras...a escrita!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Canção de Ninar




Pegou sua filha no colo, finalmente tão serena. Os olhos fechados e a respiração tranquila. Seu pequeno corpinho exausto, adormecido, sem nem sinal da aflição que acabava de vencer. A vontade era de avisar, alertar, explicar. Tudo junto numa canção de ninar.

Dizer que a noite pode ganhar, não tem que ter medo,
Mostrar que amanhã existe um novo despertar.
Dizer que ela pode demorar e até sustar,
Porque não adianta chegar na frente se ninguém vai estar lá.

Queria poder pedir pra ela ter calma, e não ficar preocupada,
Porque se veio até aqui, é porque é onde deve estar.
Que é o caminho que importa e não aonde ele vai dar.
Queria fazer passar essa aflição familiar.

Queria fechar os olhos e adormecer também,
Ter o sono pesado de quando dorme um neném.
Queria ensinar, mesmo sem compreender,
Que não é a calma o que nos faz mover.

Boi, boi, boi, boi da cara preta
Tão destemida e curiosa
Mas tem medo de careta


Botou a menina no berço e foi se deitar, sussurrando pra si mesma uma canção de ninar.

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