Nós cinco e nossas quartas

Cinco pessoas unidas pelo acaso ou não, compartilhando a experiência de se encontrar em um espaço inusitado, de vivenciar os 10 000 Km que os separa de suas casas sob uma outra ótica. As palavras...a escrita!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Intenso e vivo, rock’n roll



"Nós não fazemos exatamente shows, mas apresentações. Nosso aparato de palco se resume a algumas luzes. Não falamos muito entre as músicas. Simplesmente tocamos rock n' roll."

Era a resposta que circulava em meu pensamento, nessa linguagem torta de quem não diz ao certo mas também não mente.

Um dia pousei em um planeta azul, majoritariamente habitado com seres que se chamavam de humanos. Falavam. E diziam ter a vantagem da consciencia, da percepção de si mesmos. Curioso com tal sabedoria, perguntei então o que eram e o que faziam.

Uma, duas, tres respostas, e a dúvida crescia. Quanto mais eu indagava mais respostas obtinha, ouvia todo tipo de frase e meu repertório crescia. Mas a dúvida continuava, ou até mesmo aumentava. Ainda insatisfeito, resolvi observar.

Passei por um cemitério. Aprendi a palavra saudade. Via pessoas falando sobre a vida e sobre a morte, via pessoas falando sozinhas. Sussurrei pra mim mesmo aquelas frases bonitas ditas vacilantes, confusas de onde ir. Descobri que as palavras tem direção.

Visitei praias e vi meninas estiradas na areia. Se alimentavam de luz. Percebi que os tais humanos são completamente dependentes do sol, que em resposta, brilha periódicamente no céu, iluminando fluentemente e quase democráticamante cada pedacinho do planeta.

Curioso e cheio de dúvidas fiquei afoito pra saber mais. Maravilhado com a dita consciencia queria entender, como pode um homem inferir que vive, sem saber pra que? Chegando mais perto, me embaralhei, e quanto mais entranhado na vida ao redor, um silencio de perguntas tomava lugar. Fui virando rotina e a vida foi se limitando ao alcance da vista.

Por onde passava, aprendia novas cores, cheirei e senti sabores. Cantei junto, e me deliciei com as palavras em cadência, ritmando em sequência. Mas não falamos muito entre as músicas.

Percebi que quando a beleza transborda, um silêncio se instaura. Estar vivo já basta, intenso e vivo, rock’n roll. E por isso a fala torta, que encanta e silencia. E assim fui me acalmando e as perguntas cessando. Saber o que eu já sabia parecia ser suficiente para estar ali.

Desenvolvi particular paixão pela fala. As linguas e linguagens me encantavam! Podia passar dias passeando pelas ruas, colecionando frases soltas. Tudo guardado e catalogado esperando um dia ser usado. Me daparar com uma situação e soltar uma frase orgulhoso. E como uma criança, ouço e repito, altivo e pomposo:
"Essa mudança é uma visão tacanha da formação de um diplomata.”

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