Nós não fazemos exatamente shows, mas apresentações. Nosso aparato de palco se resume a algumas luzes. Não falamos muito entre as músicas. Simplesmente tocamos rock n' roll. Não sei o que ela esperava de mim, uma declaração, eu dizer que aquela música pra ela, mas não era, nunca foi, nem dela nem pra nenhuma das
outras pra quem eu sugeri isso. Um homem tem que saber manejar essa situação toda de palco. É diplomático: dividir, agradar, apaziguar, esconder (nunca mentir). E as gurias pulam mesmo em cima de você, pelo menos estão pulando desde que a banda começou a fazer um sucesso, ou coisa parecida. A gente toca nos bares,
começamos com covers e há dois anos estamos com umas músicas próprias. No começo era bebedeira depois de todo show, meu pai ficava puto que eu chegava de manhã em dia de faculdade, mas tava dando pra começar a ganhar uma grana então ele não podia nem dizer que ia cortar mesada, não ia fazer diferença. Coitado do
véio. Mas nem sempre eu tava bebendo a noite inteira. Conheci umas meninas no caminho... Eu realmente me sentia um diplomata ou alguma porra assim tendo que lidar com todas. Viviam tentando me zuar colocando coisa no facebook, marcando foto em instagram ou o caralho a quatro. A Mirian nunca fez nada assim. Ela falava de
blues da piedade, tipo, não, não sei o que significava. Não sei o que ela esperava quando me olhava daquele jeito. Era uma doidinha, acho que queria uma declaração de amor. Teve outras, claro, tipo a Amanda, que fazia um trabalho com a boca fora de sério, mas não era de falar muito, graças a Deus porque era burra feito uma
porta. Tinha uns peitos muito respeitáveis, também. Nunca exigiu nada, era um disque-boquete. Depois começou a namorar um outro cara, um nerd-banana. Parece que ta estudando psicologia. Numa dessas ela consegue superar a fase oral. Infame. A Miriam sempre foi mais do tipo beijinhos do que chupadas fenomenais. Ela me
deixava dormir na casa dela. Me deixava chegar lá quando eu quisesse, não importava a hora. Mas ela nem sempre fazia sexo comigo, às vezes me mandava até dormir no sofá. Ela dizia que sabia quando eu vinha da cama de alguma outra, e, por mais que eu dissesse que ela era única, ela estava sempre certa. Mais de uma vez
eu broxei com ela, de chapado. Com a Lu eu nunca broxei, o que me conferia alguma certeza maior da minha masculinidade. A Lu era assustadora na cama, gemia mais alto que gata no cio, a vadia. O vizinho de cima era um coitado, vivia batendo um cabo de vassoura no chão pra tentar chamar a atenção. Às vezes me enchia o saco
dos tapas dela. A Miriam era mais meiga, carinhosa. Depois, quando me mudei prum apê com os piás até preparei o café-da-manhã pra ela, um dia, antes de pedir pra ela ir embora. E ela me olhava de um jeito que fazia eu me sentir um merda toda vez que saía, porque ela sorria com a porra do canto da boca e me olhava
como se eu fosse um cachorrinho ou coisa parecida. Como se estivesse com dó de mim. Era de fuder, mas nunca consegui não chamar ela em casa quando as outras não deram certo. Eu nunca vi ela chorando, mas eu lembro de ter desviado os olhos mais de uma vez, de ter ido buscar uma bera quando sabia que ela tinha alguma coisa
pra falar. É fácil. E é fácil encarar uma gatinha do palco. A Miriam parou de ir aos shows depois de um tempo, mas cantava todas as músicas no começo. Ela e as amiguinhas dela, um grupinho desses de arrasar os caras. Uma delas, a Jéssica se esfregou em mim até faturar. Aguentei o quanto pude, mas mulheres de coxas grossas
são o meu fraco. No banheiro, mais ainda. A Gabi veio com elas uma vez. E daí durou mais que umas semanas, dormia lá em casa todo dia, chapávamos e comíamos pizza o dia inteiro. Perdi um show por causa dela, os caras quiseram me matar. Nunca soube onde ela morava, se não tinha que dar satisfação pra ninguém. Mas um dia me
enchi o saco que a calcinha dela tava fedendo, fedendo, no duro, no meu armário. A Miriam era sempre muito limpa, me obrigava a tomar banho antes de deitar na cama dela e vivia dizendo pra eu trocar os meus lençóis. Às vezes até trazia uns limpos. Me enchia o saco quando eu cheirava, também. Parei por causa dela, por um tempo.
Depois da Gabi fiquei uma cara sem falar com a Miriam, mas um dia ela me atendeu de volta, quase derrubei o celular com a surpresa, tava meio que ligando só pelo hábito. Daí eu pirei e, num impulso, apresentei a guria pra minha mãe, um dia. A mãe morava em outra cidade, tava vindo me visitar e acabamos indo almoçar os três. E foi
massa pra caralho, na real. A mãe ficou felizaça. A Miriam é mesmo meiga pra cacete. Fazia uma semanas que eu não falava com ela, foi um período meio foda pra banda e acabei cheirando um pouco demais com um outro brother ai. Nem tava com outra guria, esse negócio de diplomacia dá no saco de vez em quando. E dai a vadia
me liga pra dizer agora que conheceu um cara, um desses pagadores de impostos, fracassado, tem até nome de perdedor. Até já me esqueci da porra do nome de tão loser que era. Foda-se. To de saco cheio de mãe e brothers dizendo que eu devia ir atrás dela. Mas já fui atrás dela a vida inteira, não tenho culpa se ela quer dar
pra esse novo cara. Dizem que eu tenho que ficar de boa, crescer, porra, que que é crescer? Acho isso uma besteira completa. Eu curto a Mirian e coisa e tal mas essa mudança que eles querem é uma visão tacanha da formação de um diplomata.
outras pra quem eu sugeri isso. Um homem tem que saber manejar essa situação toda de palco. É diplomático: dividir, agradar, apaziguar, esconder (nunca mentir). E as gurias pulam mesmo em cima de você, pelo menos estão pulando desde que a banda começou a fazer um sucesso, ou coisa parecida. A gente toca nos bares,
começamos com covers e há dois anos estamos com umas músicas próprias. No começo era bebedeira depois de todo show, meu pai ficava puto que eu chegava de manhã em dia de faculdade, mas tava dando pra começar a ganhar uma grana então ele não podia nem dizer que ia cortar mesada, não ia fazer diferença. Coitado do
véio. Mas nem sempre eu tava bebendo a noite inteira. Conheci umas meninas no caminho... Eu realmente me sentia um diplomata ou alguma porra assim tendo que lidar com todas. Viviam tentando me zuar colocando coisa no facebook, marcando foto em instagram ou o caralho a quatro. A Mirian nunca fez nada assim. Ela falava de
blues da piedade, tipo, não, não sei o que significava. Não sei o que ela esperava quando me olhava daquele jeito. Era uma doidinha, acho que queria uma declaração de amor. Teve outras, claro, tipo a Amanda, que fazia um trabalho com a boca fora de sério, mas não era de falar muito, graças a Deus porque era burra feito uma
porta. Tinha uns peitos muito respeitáveis, também. Nunca exigiu nada, era um disque-boquete. Depois começou a namorar um outro cara, um nerd-banana. Parece que ta estudando psicologia. Numa dessas ela consegue superar a fase oral. Infame. A Miriam sempre foi mais do tipo beijinhos do que chupadas fenomenais. Ela me
deixava dormir na casa dela. Me deixava chegar lá quando eu quisesse, não importava a hora. Mas ela nem sempre fazia sexo comigo, às vezes me mandava até dormir no sofá. Ela dizia que sabia quando eu vinha da cama de alguma outra, e, por mais que eu dissesse que ela era única, ela estava sempre certa. Mais de uma vez
eu broxei com ela, de chapado. Com a Lu eu nunca broxei, o que me conferia alguma certeza maior da minha masculinidade. A Lu era assustadora na cama, gemia mais alto que gata no cio, a vadia. O vizinho de cima era um coitado, vivia batendo um cabo de vassoura no chão pra tentar chamar a atenção. Às vezes me enchia o saco
dos tapas dela. A Miriam era mais meiga, carinhosa. Depois, quando me mudei prum apê com os piás até preparei o café-da-manhã pra ela, um dia, antes de pedir pra ela ir embora. E ela me olhava de um jeito que fazia eu me sentir um merda toda vez que saía, porque ela sorria com a porra do canto da boca e me olhava
como se eu fosse um cachorrinho ou coisa parecida. Como se estivesse com dó de mim. Era de fuder, mas nunca consegui não chamar ela em casa quando as outras não deram certo. Eu nunca vi ela chorando, mas eu lembro de ter desviado os olhos mais de uma vez, de ter ido buscar uma bera quando sabia que ela tinha alguma coisa
pra falar. É fácil. E é fácil encarar uma gatinha do palco. A Miriam parou de ir aos shows depois de um tempo, mas cantava todas as músicas no começo. Ela e as amiguinhas dela, um grupinho desses de arrasar os caras. Uma delas, a Jéssica se esfregou em mim até faturar. Aguentei o quanto pude, mas mulheres de coxas grossas
são o meu fraco. No banheiro, mais ainda. A Gabi veio com elas uma vez. E daí durou mais que umas semanas, dormia lá em casa todo dia, chapávamos e comíamos pizza o dia inteiro. Perdi um show por causa dela, os caras quiseram me matar. Nunca soube onde ela morava, se não tinha que dar satisfação pra ninguém. Mas um dia me
enchi o saco que a calcinha dela tava fedendo, fedendo, no duro, no meu armário. A Miriam era sempre muito limpa, me obrigava a tomar banho antes de deitar na cama dela e vivia dizendo pra eu trocar os meus lençóis. Às vezes até trazia uns limpos. Me enchia o saco quando eu cheirava, também. Parei por causa dela, por um tempo.
Depois da Gabi fiquei uma cara sem falar com a Miriam, mas um dia ela me atendeu de volta, quase derrubei o celular com a surpresa, tava meio que ligando só pelo hábito. Daí eu pirei e, num impulso, apresentei a guria pra minha mãe, um dia. A mãe morava em outra cidade, tava vindo me visitar e acabamos indo almoçar os três. E foi
massa pra caralho, na real. A mãe ficou felizaça. A Miriam é mesmo meiga pra cacete. Fazia uma semanas que eu não falava com ela, foi um período meio foda pra banda e acabei cheirando um pouco demais com um outro brother ai. Nem tava com outra guria, esse negócio de diplomacia dá no saco de vez em quando. E dai a vadia
me liga pra dizer agora que conheceu um cara, um desses pagadores de impostos, fracassado, tem até nome de perdedor. Até já me esqueci da porra do nome de tão loser que era. Foda-se. To de saco cheio de mãe e brothers dizendo que eu devia ir atrás dela. Mas já fui atrás dela a vida inteira, não tenho culpa se ela quer dar
pra esse novo cara. Dizem que eu tenho que ficar de boa, crescer, porra, que que é crescer? Acho isso uma besteira completa. Eu curto a Mirian e coisa e tal mas essa mudança que eles querem é uma visão tacanha da formação de um diplomata.
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