Nós cinco e nossas quartas

Cinco pessoas unidas pelo acaso ou não, compartilhando a experiência de se encontrar em um espaço inusitado, de vivenciar os 10 000 Km que os separa de suas casas sob uma outra ótica. As palavras...a escrita!

terça-feira, 18 de março de 2014

Estranha forma de amar

Estranha forma de amar. Amanhecia o dia, uma bailarina deitada no chão, abraçada a um palhaço e um pirata. Era o prédio mais alto da cidade. Em sua memória sempre permaneceria aquele lindo céu, avermelhado, brilhante.

Carina amava, e de fato amava os dois. Achava Roberto charmoso, com aquele jeito de sexy nerd, sempre com piadas inteligentes. Mas não conseguia tirar Carlos de sua cabeça também, aquele bobalhão com o sorriso mais bonito que ela já tinha visto.

Encontrou Roberto primeiro, típico namorado de colegial. Amigo de amigos, saíram para um encontro, restaurante italiano. Beijo na porta de casa, próximo encontro marcado, mensagem antes de se deitar. Apaixonou-se de primeira, príncipe encantado que sempre sonhou. Achava que ele a completaria. A completou. Até que...

Festa com amigas, noite de bebidas, balada na cidade. Entre músicas e doses de tequila, cruzou olhares com ele. Seu nome era Carlos, viria a saber em breve. Sentiu o mais profundo tesão por ele naquele momento. Segurou seu copo, olhando-o, virou o que restava. A próxima dança seria dele, caminhou até lá. O beijo surgiu rápido, a foda também, banheiro do clube. Mas foi maravilhosa, ela nunca tinha experimentado um desejo como aquele.

Foi sincera desde o inicio, mentir nunca foi a sua, sempre fazia tudo complicado no final. Roberto ficou arrasado, sem resposta ou telefonema por duas semanas. Carlos continuou da mesma forma, a fazendo sorrir e se sentir desejada. Mas a felicidade não estava completa. Era como se Roberto fosse o que a prendia ao chão, o que mostrava que o mundo real podia também ser maravilhoso. Sentia-se perdida sem ele.

Então ele atendeu sua ligação, concordou em se encontrar. Se encontraram, conversaram, concordaram. Ele também estava apaixonado. A queria. Às vezes abrir mão faz parte do jogo.

Festa a fantasia. Momento ideal? Talvez não, mas Carina estava cansada de planejar demais, decidiu deixar acontecer. Roberto era o pirata, seu jeito serio caiu perfeitamente, na medida certa com sua fantasia. Estava incrivelmente sexy, o homem que qualquer mulher sonharia. Carlos, claro, palhaço. Seu palhaço.  Ela? Uma linda bailarina, pura e sensual, uma mistura que sempre a trouxe a problemas no final.

Momento desconfortável, ciúmes de ambas as partes. Mas decidiram aceitar o desafio, fácil não seria. Era diferente, mas ambos a amavam, e ela precisava dos dois, cada um com uma parte de seu coração.
Decidiram subir ao topo do prédio onde a festa foi dada. Ela precisava de espaço para lidar com aquilo. Nunca se esqueceria daquele momento. Silêncio, ambos em seus braços. Felicidade completa. Não havia um só problema em sua mente. Tudo era limpo, como aquele céu alaranjado, como aquele dia que estava surgindo.

No final não deu certo, Roberto sentia muito ciúmes, queria ela inteira para ele. A largou, se casou em 6 meses com uma amiga de sua irmã. Carina sabia que não conseguiria manter Carlos, ele tinha uma mente muito aventureira, no fundo ela precisava de um chão. Terminaram. Carlos foi viver seu sonho sul-americano. Nunca mais ouviu falar dele.


Agora, olhando para a xicara de chá em sua mão, ela enfim percebe que nem tudo o tempo consegue curar.

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