Nós cinco e nossas quartas

Cinco pessoas unidas pelo acaso ou não, compartilhando a experiência de se encontrar em um espaço inusitado, de vivenciar os 10 000 Km que os separa de suas casas sob uma outra ótica. As palavras...a escrita!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Abriu os olhos




Abriu os olhos...fechou-os novamente.

Ao passo que sua respiração se tornava mais profunda, também seu piscar de olhos se tornava mais demorado. Ela gostava de brincar com essa sensação, tinha então todo o poder de decisão sobre o que gostaria de ver ou não. Olhava, via, reparava e fechava os olhos mais uma vez.

De olhos abertos estava parada, sentada em frente àquela construção simples, portão, porta, janela. Só faltava o antigo balanço. De olhos fechados dançava com toda sua emoção guardada, seus movimentos traduziam suas palavras não ditas, dançava no silêncio.

Abriu os olhos, a casa ainda estava ali, fechou-os e lhe veio na mente a imagem do primeiro dia em que o viu acordar, um sorriso tímido colorido pela luz alaranjada do amanhecer, sorriu também.

Abriu os olhos, um cachorro sentado na parte do muro banhada pelo sol. Fechou os olhos. Ouviu risadas, estava escuro, por trás das toalhas penduradas na cama de repente apareceu o rosto de sua mãe chamando-a para o jantar, seu esconderijo tinha sido descoberto.

Abriu os olhos, o sol a fez lacrimejar. Fechou os olhos. Um papel branco estava à sua frente, sentiu a melancolia daquele momento, não sabia o que escrever, não pertencia àquele mundo, não sabia aonde ir, simplesmente não sabia.

Abriu os olhos, a janela do vizinho estava aberta. Fechou os olhos. Caminhava no parque e se encontrou novamente com a árvore pela qual se apaixonou, filmou com a mente a dança dos galhos com o vento.

Abriu os olhos, alguém abrira a porta e um menino andava de triciclo no quintal. Fechou. Viu o dia em que deixou aquela casa. Abriu os olhos, a casa. Fechou os olhos e se viu na frente do homem que amava, abriu os olhos, a casa, fechou os olhos e com uma lágrima que lhe escorria se viu se despedir de seu pai, abriu os olhos, a casa, as lágrimas.

Fechou os olhos.

Sorriu. Viu seu filho apertar sua mão. Abriu os olhos, a casa.


Se levantou, andou, passo a passo. Simples, tudo era muito simples

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